Criatividade.
Um pequeno mergulho sobre a criação.
Imagina o seguinte, você entra numa loja de conveniência pegar uma bebida. Algo simples e rápido. Mas quando chega na frente do refrigerador você paralisa, não porque não sabe o que quer. Mas porque tem opções demais, Coca, Pepsi, suco de caixinha, chá, energético. É um colapso de possibilidades. E ali, parado diante da porta fria, sem saber o que pegar, você acaba pegando nada.
E é exatamente assim que a criatividade funciona. Quanto mais liberdade você tem, mais difícil é decidir. Quanto menos limites, menos força criativa. O excesso de escolhas paralisa, enquanto as restrições forçam o cérebro a encontrar soluções inovadoras dentro dos limites. É a diferença entre "o que fazer?" e "como fazer com o que tenho?". Quando todas as coisas são possíveis, nada tem uma forma. A genialidade não está em usar todos os recursos, ela está em usar os poucos recursos que você tem de maneira absurda. A falta de tempo, a câmera ruim, o espaço apertado, o microfone que chia, o celular velho, o quarto escuro, tudo isso não não são apenas obstáculos, são uma estrutura sobre a qual a criatividade se constrói. Elas obrigam a simplificar, a pensar fora da caixa, a encontrar beleza e função no essencial. Os melhores trabalhos nascem quando você para de pensar no que fazer e começa a perguntar “como posso fazer isso funcionar com o que eu já tenho?”
Você começa pelo problema e constrói a solução com o que estiver no bolso.
A criatividade floresce no conflito.
A arte surge da tensão.
E o criador de verdade não vê limitações como grades, vê como linhas de esboço.
Você quer mesmo fazer algo impactante?
Comece com o que tem. E observe como o seu cérebro troca de marcha.
“O que eu deveria fazer?” “Como posso fazer isso com o que está ao meu alcance?”
"O inimigo da arte é a ausência de limitações."
Fonte da imagem: Cosmos. Imagem original no Instagram @innertel
Ideias estão em todos os lugares.
Uma ideia não surge do vácuo. Ideias vem da observação do mundo, da conexão de conceitos existentes, da memória, das experiências. A criatividade é mais sobre reconhecer, conectar e recombinar elementos do que sobre gerar algo "do nada". Você precisa estar atento, aberto, curioso. Ler, observar pessoas, consumir arte diversa, viver experiências tudo isso alimenta a sua criatividade.
Ideias não nascem do nada na sua cabeça.
Elas te encontram.
Naquela conversa com o seu amigo.
Na sombra de uma memória.
No trecho de um livro.
No tédio de um domingo a tarde.
A verdadeira sacada criativa não vem de um esforço de criar algo inédito. Ela vem do estado de atenção.
Criação é escuta.
Você não é o inventor. Você é o canal. O filtro.
É por isso que os melhores criadores vivem atentos.
Porque uma ideia pode surgir de um detalhe estúpido e virar a coisa mais poderosa que você já criou.
Flow.
Talvez o erro mais comum das pessoas, é que elas esperam a inspiração chegar. Elas esperam por um momento perfeito, um estado mental perfeito, onde tudo flui, onde o tempo desaparece, onde a criatividade brota como uma fonte de luz.
Mas esse “estado” não se encontra, ele se cria. O estado de flow (concentração profunda) não é algo que você espera passivamente. É algo que você provoca começando a trabalhar, mesmo sem vontade, mesmo sem a "inspiração perfeita".
Sabe aquele autor que escreve 10 páginas por dia, mesmo nos dias em que odeia tudo que escreve? Ele entendeu que o flow não é um presente. É um ritual de presença. No momento em que você estiver inteiramente presente no seu "trabalho" é que seu estado de flow vai fluir. Você não senta pra escrever porque está inspirado. Você fica inspirado porque sentou pra escrever. A inspiração frequentemente surge durante o trabalho árduo, não antes dele. Quando você parar de criar expectativas sobre o processo e simplesmente agir a inspiração virá.
Autenticidade.
Você precisa criar para si mesmo. Se você faz algo tentando agradar o público, o algoritmo, os outros, você não está criando. Você está projetando uma ilusão.
Você precisa ser verdadeiro. A pior coisa que você pode fazer é tentar ser o que os outros esperam. Não tente ficar adivinhando o que os outros querem, não vista máscaras. Quanto mais pessoal, mais universal sua arte se torna. Porque verdades íntimas ecoam em lugares profundos. E em um mundo saturado de vozes, a sua só se destaca quando você fala como ninguém mais poderia.
Você precisa criar para si mesmo. Pergunte a si mesmo oq achou da sua criação. E se você gostou do que criou, isso é tudo. Buscar validação externa antes de ter essa convicção interna leva à inautenticidade. Confie na sua intuição criativa, mesmo que pareça estranha ou ilógica para os outros. É essa voz única que diferencia seu trabalho no "mar de informações". Tentar ser o que os outros (supostamente) querem é inútil (porque você não sabe o que eles querem) e destrói a autenticidade, que é a única coisa que importa. "Se você não for você mesmo, não existe mais nada.
Nada é original.
A obsessão pela originalidade absoluta é um mito. Nada é 100% novo. Toda criação é uma junção, um remix da sua memória, das suas influências, da sua cultura, das músicas que ouviu, dos filmes que amou, das frases que doeram, do trabalho de outras pessoas. A criação nasce do seu contato com o mundo e da forma como esse mundo foi armazenado em você.
Sua perspectiva pessoal, a forma como você processa e combina suas influências (conscientes ou não) é o que torna seu trabalho único. A criatividade verdadeira acontece quando você pega o mundo que já existe e passa ele pelo filtro da sua existência. É a sua personalidade, sua bagagem, suas falhas, sua cultura, sua neurose e suas referências.
Conclusão.
A criatividade não é uma luz que desce do teto.
Ela acontece quando você para de esperar, começa a usar o que tem, e encara o medo do “não ser bom o suficiente” com a sua ousadia.
A criação não é um dom, é coragem.
Coragem de começar com pouco.
Coragem de ser imperfeito.
Coragem de acreditar que o que você tem é suficiente.
Comece a criar.
Não importa se é ruim.
Não importa se ninguém curtir.
Não importa se só você achar bonito
Crie porque isso te aproxima de si mesmo.
Crie porque o mundo precisa da sua versão torta.
Crie porque você não tem escolha.
Você nasceu pra isso.
Somos todos artistas
Chegamos ao fim de mais uma breve reflexão. Compartilhe com alguém que possa se interessar. E considere se inscrever para não perder nenhuma nova publicação.
Agradeço a todos que leram até o final.♥
Abraços, Leoni



Seu texto chegou exatamente no momento que eu precisava ler :) Hoje, depois de muito tempo, voltei ao Substack e publiquei algo novamente.
Concordo que criar só para agradar expectativas externas ou algoritmos esvazia a arte :(mas algo em mim não some: o desejo de ser lida. De tocar alguém. De fazer parte, mesmo que por alguns minutos, do dia de outra pessoa.<3
Estonteante 🤍